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Por que digitalizar o rádio?
Por muitas razões, mas principalmente, porque
esse avanço tecnológico melhora a qualidade
das recepções, possibilita a convergência
com outros meios e tecnologias, abre perspectivas
de interatividade, de maior estabilidade nas transmissões,
de economia de espectro de freqüências
e de incontáveis aplicações.
O desafio
O Brasil está,
em princípio, aberto aos testes com todos os
padrões disponíveis no mundo. Na prática,
contudo, apenaso Iboc (In Band On Channel), criado
pela empresa norte-americana Ibiquity, está
sendo testado por uma dúzia de emissoras em
todo o País, tanto em AM como em FM.
O DRM (Digital Radio Mondiale), em desenvolvimento
por um consórcio europeu, deverá ser
o próximo, seguido do padrão japonês,
compatível com o sistema de TV Digital adotado
pelo País.
A proposta do Iboc é vantajosa, pois evita
a duplicação de faixas de freqüências
e permite que os receptores de rádio analógicos
sobrevivam por mais dez ou 15 anos. Mas, depois de
quase dois anos, os resultados dos testes do Iboc
no Brasil ainda estão longe de ser satisfatórios.
Testes de AM
Comecemos pelo pior caso, que é o das transmissões
em AM. Na expressão de um técnico, "a
qualidade do rádio digital é ótima,
desde que funcione." Na verdade, ele funciona
de modo razoável apenas durante algumas horas
por dia, vencendo com dificuldade os problemas de
poluição radioelétrica que dominam
a Grande São Paulo. São motores elétricos,
6 milhões de veículos, indústrias,
7 milhões de celulares, emissoras de alta potência
e 15 mil rádios piratas. Tudo isso torna a
Capital e os 37 municípios vizinhos um verdadeiro
inferno para a propagação de sinais
analógicos ou digitais.
À noite, a situação se torna
ainda mais problemática, porque aumenta a reflexão
das ondas na ionosfera, mudando sensivelmente o comportamento
dos sinais em AM, causando interferências em
rádios distantes. Para as emissoras analógicas,
a solução nas últimas décadas
era reduzir a potência do sinal à metade.
Mas nos testes do Iboc, com sinal analógico
e digital, surgem novos problemas e a qualidade torna-se
inaceitável.
Nas transmissões em FM, enfrento outro problema
desconfortável: a alternância de sintonia
entre os sinais digital e analógico, tendo
de ouvir a transmissão digital com atraso (delay)
de 8 segundos, o que causa a repetição
e o corte de trechos da informação,
seja música ou notícia, em pontos de
sombra da Grande São Paulo. Resta-me desligar
o sintonizador digital e só ouvir a transmissão
analógica.
Fonte: Jornal Valor Econômico - Tecnologias
da Informação - Tecnologia Digital -
Por Ethevaldo Siqueira
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